a cor dos miosótis
Somos mais produto do meio que nos constrói ou da imaginação que nos concebe?
Inês
Manhã cedo
(Este texto foi apresentado no catálogo de uma exposição onde a minha mãe expôs um quadro.)
As pessoas
Não estamos sós. Porém, vivemos encerrados nas fronteiras do ego. E o universo que nos habita reduz-se à sombra que os nossos passos deixam no caminho.
O domínio do ego
Sentado no sofá, olho por entre os quadrados da porta de vidro o céu encavalitado no monte. À varanda, observo a paisagem: as casas, a relva onde, às vezes, existe um cavalo, as árvores, a estrada, em baixo, onde os carros passam continuamente, destinos variados.O mundo existe e existo eu.
Perante o espectáculo deslumbrante da natureza, o ego recua e reduzimos-nos à dimensão insignificante da nossa estatura. Deixamos de pensar. Não queremos mais saber quem somos. Todas as questões reduzem-se a sentir o que os olhos vêem.
Teremos que desejar ainda mais alguma coisa? Teremos que acreditar que haverá ainda mais alguma coisa para além daquilo que queremos e desejamos? Saberemos o que queremos? Ou tudo não passará de uma paisagem que nos entra pelos olhos dentro para nos deixar quietos e harmonizados com a natureza do que somos?
Podíamos limitarmo-nos a ser "apenas" como o vento, o sol e a chuva. Ser. Não desejar mais que o azul do céu. Criar aí as nossas raízes e crescer como uma árvore num horizonte de pássaros. E voar...
Mas não. Vivemos sob o domínio do ego. Subjugamos a liberdade do ser aos ditames do ego. Recusamos o universo de Deus para sermos o deus do nosso universo.